O que é o golpe de calor
O cão quase não sua — ele perde calor pelo ofego. Quando o ambiente está quente e úmido, ou o esforço é grande, ou o ar não circula (carro, canil fechado, sacada), o ofego não dá conta e a temperatura corporal dispara. Acima de 41 °C, as proteínas do corpo começam a “cozinhar”: lesão no intestino, nos rins, no fígado, no cérebro e na coagulação. Em minutos a pouco mais de uma hora, um cão saudável pode ir do ofego ao colapso.
Situações típicas em Belo Horizonte: passeio ou corrida no fim da manhã e início da tarde, cão esquecido no carro (mesmo “só cinco minutos”), cão preso em área de serviço ou sacada sem sombra, e raças de focinho achatado em qualquer dia quente.
Resfriar do jeito certo
O objetivo é baixar a temperatura de forma rápida, mas controlada:
- Água em temperatura ambiente ou fresca — nunca gelada — no corpo todo, insistindo em pescoço, axilas, virilha, barriga e patas, onde os vasos são superficiais.
- Ar circulando por cima da água (ventilador, ar-condicionado, janela do carro andando). É a evaporação que resfria; toalha molhada fechada sobre o corpo faz efeito estufa.
- Troque as toalhas com frequência (elas esquentam rápido).
- Se tiver termômetro, pare o resfriamento ativo aos ~39,4 °C para não jogar o animal para hipotermia.
Faça isso enquanto vai para a clínica — não em vez de ir.
Por que ir mesmo melhorando
O ofego pode ceder e o animal parecer recuperado, mas o dano interno já foi feito. Nas 24 a 72 horas seguintes podem aparecer insuficiência renal, sangramento por falha de coagulação e lesão intestinal. Algumas horas de soro na veia e monitoração fazem toda a diferença.
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação de um médico veterinário. Golpe de calor é emergência mesmo quando o animal “melhora” — comece a resfriar e vá para a clínica 24h.